Declaração

O blogue que se segue pode conter linguagem susceptível de ferir a sensibilidade dos leitores, pelo que se agradece que pense duas vezes antes de espreitar.

Todas as palavras aqui postadas NÃO SÃO OFENSAS GRATUITAS. São pagas, desde há séculos, com o sofrimento de milhares de touros.

Enquanto os aficionados ofenderem a minha sensibilidade, eu sinto-me no direito de ofender a deles.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Do argumento das outras causas sociais

Estou farto de ouvir dizer que só nos preocupamos com os animais e que nada fazemos pelas pessoas.

Realmente, há muitos problemas na sociedade.
Muitas causas para defender. Mas quanto a esta crítica, duas respostas:

Em primeiro lugar, o facto de nos batermos por uma causa, não implica a renúncia a outras. Ou querem ver, que se ajudarmos a luta contra o cancro, não podemos ajudar a luta contra a fome? Se os aficionados têm dificuldades na área da coordenação humanitária e só conseguem abraçar uma causa de cada vez, não é um problema nosso. Mas, por favor, não nos venham dizer como devemos agir ou que causas são prioritárias. Por regra, uma pessoa, ainda que não disponha de uma agenda descomprometida, consegue mover os seus tentáculos, para acudir ao maior número possível de acções. Por isso, é evidente, que por muito empenhado que qualquer anti-tourada esteja nesta temática, não significa que nada faça em relação a outras lutas.

Em segundo lugar, se estão tão preocupados com as tais “outras lutas” (que segundo os próprios são as únicas verdadeiramente importantes), façam um favor às vítimas dessas “outras lutas”: mexam esses braços e empenhem-se vocês nelas. Sejam activistas. Ajudem essas associações. E não me refiro a irem assistir a espectáculos tauromáquicos de beneficência. Ajudem de verdade! Sejam voluntários! Manifestem-se! Abanem a sociedade!

Porque o tempo que vocês perdem a criar “Prótoiros” para lutar contra nós, podiam estar a ajudar quem mais precisa.

sábado, 22 de maio de 2010

Do argumento dos bifes = touradas

Volta e meia aparece, de novo, o velho argumento de que é uma hipocrisia comer bifes e não aceitar as touradas. Eu não como carne (e até já tive problemas de saúde por causa disso) mas respeito quem a come. Comer carne faz parte da natureza humana. Quanto muito, podem dizer que eu estou a ir contra a minha natureza por prescindir dela. Aceito isso. Mas as pessoas que comem animais não são obrigadas a aceitar e, muito menos, a gostar que lhes seja infligida dor.

Quem come carne e não gosta de touradas, quer que os animais tenham uma morte rápida e indolor e é contra as péssimas condições em que os bovinos, para consumo humano, são criados. Acontece, porém, que essa é outra luta. E uma não invalida a outra. Nós não somos, apenas, contra as corridas de touros, também somos contra a podridão da indústria da carne…

Matar para comer é a lei da natureza. Magoar por prazer, não! Dizer que aquele animal vai virar um bife no meu prato, não pode justificar que eu aprecie vê-lo a ser magoado. Senão, vejamos:
- é justificável pegar numa ave e espetá-la, com alfinetes ou agulhas, porque se gosta de arroz de pato ou de arroz de cabidela?
- é justificável pontapear memés porque se come borrego?
- é justificável esmurrar caprinos porque se come cabrito, no Natal?
(É que se for, tenho de ter cuidado se me vir envolvido numa luta, não vá aquilo ser um ritual prévio de canibalismo...)

Então qual é a lógica de meter arpões num touro com a justificação de que ele vai ser comido?

Das duas uma, ou quem defende as touradas, defende este tipo de maus-tratos a qualquer animal, desde que ele vire repasto ou, então, o argumento dos bifes não se aplica na legitimação das touradas. Caso, a hipótese correcta seja a primeira e os aficionados venham alegar que tudo é válido, desde que o fim seja a alimentação, então, temos de admitir que o seu grau de crueldade é assustador.

Não viveríamos num mundo melhor se os animais não tivessem de sofrer, antes de irem parar aos pratos?

Repito: conhecemos as condições em que os bovinos da indústria alimentar são criados e sabemos que são muito piores do que aquelas em que os touros o são, mas uma coisa não prejudica a outra. Não podemos justificar uma coisa má com a existência de outra coisa pior. Isso seria o mesmo que, e.g., não combater a precariedade laboral porque, nos dias de hoje, ainda há casos de escravatura que vão sendo revelados.

“Eu como bifes e, por isso, posso gostar de corridas de touros.”

Quando somos pequenos, os pais costumam ensinar que não se pode andar descalço no chão frio, que se tem de lavar as mãos antes de ir para a mesa e que NÃO SE BRINCA COM A COMIDA.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Queda para a lide

Será que o empurraram? Ou será isto, uma tentativa de suicídio?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Vamos estudar os nomes colectivos

Um grupo de aves é um bando.
Um grupo de peixes é um cardume.
Um grupo de cães é uma matilha.
Um grupo de touros é uma manada.
Um grupo de forcados é uma palermice.

Pela defesa do futuro dele!

Olhem bem para a foto.

Não é uma coisinha tão boa? Como é possível esperar que cresça e fazer-lhe mal?

E ainda dizem, os ganadeiros, que amam os touros... Quem cria estes seres com amor, não seria capaz de os vender para fins tão horrendos...

Os ganadeiros amam é a cor do dinheiro, por isso é que são mais de 95, as PRINCIPAIS ganadarias portuguesas!

Mas insistem em dizer que criar touros dá prejuízo...

Pois, pois. Nós acreditamos. A mim, por exemplo, dá-me prejuízo queimar notas de 50 euros, por isso é que eu as queimo.

Está bem, abelha!

A putativa igualdade na corrida à portuguesa

Dizem que a corrida de toiros consiste na luta entre o homem e o animal e que é justa. Eu digo que de justa não tem nada e que, para além disso, não pode ser entendida como uma luta mas, sim, como coacção. Para que a luta fosse justa seria necessário que ambas as partes dispusessem de igualdade de armas. Tal facto não acontece nas nossas corridas.

Cavaleiros

Para começar o homem anda a cavalo. Ora, por um lado, o touro é um animal que atinge menos velocidade do que um cavalo e, por outro lado, cansa-se mais facilmente. E, ainda assim, por norma, usam-se duas montadas por lide... Portanto, brincar ao "toca e foge" em cima de um animal mais ágil, não me parece que tenha muito de justo.

Para além disso, o touro só dispõe dos seus cornos como arma de ataque/defesa e tem de fazer o movimento de flexo-extensão da cabeça para os utilizar estando, naturalmente, limitado ao alcance deste movimento e ao tamanho das suas hastes. O que levanta as seguintes questões:
- por um lado, o movimento que o homem projecta com o braço, tem mais amplitude do que o do touro;
- por outro lado, o homem utiliza instrumentos com o mínimo de 70 cm de comprimento para puncionar o touro o que, como é óbvio, aumenta a sua vantagem, pois não está assim tão próximo do animal como seria suposto (e já nem vamos falar do excessivo comprimento dos ferros no início da corrida);
- finalmente, as hastes do touro, para além de serem, previamente, despontadas, ainda são emboladas, pelo que nem a sua arma está em estado naturalmente pleno.

Forcados

Quanto à pega, ela é aplaudida como a parte mais justa da luta, porque é mano-a-mano (que é como quem diz 8 contra 1, mas isso até se entende apesar dos 8 forcados pesarem, conjuntamente, mais do que o touro).

Mas ainda assim, não há equidade na pega. Haveria, se os forcados pegassem o touro no início da corrida ou, mantendo-se a tradição de serem os últimos, pegassem um touro virgem.

Porque isso de fazer uma pega a um animal que está francamente exausto (e quem já observou uma corrida viu a rapidez e a violência com que o touro respira de cansado), que já perdeu litros de sangue, que tem violentos rasgões na carne, ferros espetados nos músculos, tem muito que se lhe diga...

Querem heróis? Metam 8 homens a pegar um touro saído dos curros e em pontas.

A putativa igualdade na corrida à portuguesa

Como eu já ouvi, por diversas vezes: "A ideia não é os cavaleiros, os cavalos e os forcados saírem da arena esventrados". Esta lógica diz tudo. Se a ideia é proteger estes intervenientes, nunca poderá ser uma luta justa. A igualdade de armas implica a mesma probabilidade de sacrifício para as duas partes envolvidas e, como bem sabemos, porque as estatísticas comprovam-no, o número de homens feridos em relação ao número de corridas/ano é mínimo. E, mesmo os forcados, que são dos que mais se lesionam, ferem-se mais nas bandarilhas que estão espetadas no animal, do que por culpa do animal em si.

Por isso, é evidente que o jogo está viciado e que "a casa ganha sempre"!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Quem sabe o que é a taurina?

Frente de Acção Pró C2H7NO3S